A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em primeira votação, nesta quarta-feira (23), o Projeto de Lei 560/2025, que prevê a proibição da publicidade de empresas de apostas esportivas e jogos de azar online em eventos esportivos realizados na capital paulista. A proposta é de autoria do vereador João Jorge (MDB) e pode afetar diretamente os contratos de patrocínio dos três grandes clubes da cidade.
O projeto estabelece que a restrição valeria para eventos organizados por entidades públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos, amadoras ou profissionais, realizados em espaços públicos ou privados no município. A proibição inclui placas, faixas e painéis publicitários em arenas, estádios, ginásios e outros locais destinados à realização de eventos esportivos.
Em caso de aprovação definitiva e posterior sanção, o texto prevê multa de R$ 50 mil por infração, além da possibilidade de suspensão da licença de funcionamento por até 30 dias. Em caso de reincidência, o responsável pelo evento poderá ficar impedido de realizar eventos esportivos na cidade por até dois anos. As empresas e organizações teriam 90 dias para se adequar às regras após a publicação da eventual lei.
A proposta ainda não está em vigor. Como foi aprovada apenas em primeiro turno, ainda será necessária uma segunda votação na Câmara Municipal. Até o momento, não há data definida para a nova apreciação do projeto.
Entre os clubes diretamente impactados está o Corinthians, que tem a Esportes da Sorte como patrocinadora máster. O contrato renovado no início de 2026 prevê R$ 150 milhões anuais fixos ao clube, com possibilidade de o valor chegar a R$ 200 milhões por temporada caso determinadas metas sejam atingidas. O vínculo é válido até o fim de 2029.
Por isso, caso a proposta seja aprovada em definitivo e alcance a exposição da marca nos uniformes, placas e demais propriedades relacionadas aos eventos esportivos, o contrato do Corinthians poderá ser diretamente afetado. No entanto, o impacto financeiro efetivo ainda não pode ser determinado, já que o projeto ainda está em tramitação e o texto pode sofrer alterações antes da segunda votação. O próprio autor afirmou que novas mudanças podem ser discutidas durante a tramitação.
O tema também envolve Palmeiras e São Paulo, que possuem contratos com empresas do setor de apostas. A discussão já mobiliza os clubes da capital, que acompanham a tramitação da proposta e os possíveis efeitos sobre suas receitas comerciais.
Para o Corinthians, a questão ganha ainda mais importância diante do atual cenário financeiro do clube. A patrocinadora máster representa uma das principais fontes de receita comercial do Timão, com R$ 150 milhões anuais previstos no contrato atual. Qualquer mudança nas regras de publicidade de apostas poderá, portanto, exigir uma revisão das estratégias comerciais do clube, caso a proposta avance até sua aprovação definitiva.
