Corinthians e Internacional lideram um movimento junto ao Governo Federal para a criação de um programa de auxílio financeiro aos clubes brasileiros que enfrentam dificuldades econômicas. A CBF participa das conversas como articuladora do diálogo entre as equipes e o governo. A informação foi divulgada pelo ge nesta quinta-feira (24).
A principal proposta em discussão é a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com taxas de juros inferiores às praticadas atualmente pelo mercado bancário. A ideia é que os clubes possam ter acesso aos recursos para reorganizar suas finanças, mas com a exigência de que o dinheiro destinado aos times mais endividados seja utilizado exclusivamente para o pagamento de dívidas.
O formato do programa ainda não foi definido. Também não há, neste momento, um valor estabelecido para o limite de crédito que poderia ser disponibilizado pelo BNDES nem os critérios que seriam utilizados para a aprovação dos pedidos. Segundo o ge, a expectativa é de que as discussões avancem somente após o segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
As conversas são conduzidas principalmente por Corinthians e Internacional, que atravessam graves dificuldades financeiras e atualmente cumprem punições de transfer ban impostas pela Fifa. Os presidentes Osmar Stabile e Alessandro Barcellos buscam apoio para a criação do programa, que também conta com a participação da CBF e do Ministério do Esporte nas discussões.
Um estudo elaborado pela consultoria EY, com participação de Pedro Daniel, atual CEO do Atlético-MG, ajudou a embasar as conversas com o Ministério do Esporte e a CBF. As negociações começaram no mês passado e também levam em consideração o cenário de possível restrição à publicidade das casas de apostas, que poderia reduzir uma importante fonte de receita dos clubes brasileiros.
A proposta não seria limitada aos clubes que enfrentam grandes dívidas. Também está sendo discutida a possibilidade de liberar recursos para investimentos em infraestrutura para equipes que estejam em situação financeira mais estável. Nesse caso, o crédito poderia ser utilizado em projetos estruturais, como melhorias em centros de treinamento, estádios e outras instalações.
A criação da linha de crédito também está sendo relacionada ao novo sistema de Fair Play Financeiro do futebol brasileiro. Segundo o ge, os clubes envolvidos argumentam que, diferentemente de programas anteriores de socorro ao futebol, o novo modelo conta com regras de governança e mecanismos de controle financeiro, o que poderia reduzir os riscos de uma operação desse tipo.
No caso do Corinthians, a situação financeira é especialmente delicada. O clube encerrou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões e endividamento total próximo de R$ 2,8 bilhões. Além disso, o Alvinegro enfrenta diferentes compromissos financeiros e está impedido de registrar novos jogadores por causa de três transfer bans que somam aproximadamente R$ 21,5 milhões.
Ainda não existe definição sobre a criação do programa ou sobre os valores que poderiam ser disponibilizados. As conversas entre clubes, CBF e Governo Federal devem continuar nos próximos meses, com a expectativa de que o tema volte a ganhar força após o período eleitoral.
